As férias de Natal aproximam-se a passos largos. E sempre tivemos um problema: onde levar tanto medicamento bem acondicionado e seguro?
No mercado nunca conseguimos encontrar algo que nos enchesse totalmente as medidas.
Vai daí, por sugestão da fada-irmã, depois de termos criado um taleigo para um amigo, porque não criarmos um semelhante para levarmos num lugar só toda a medicação da família?
Depois de terminar e entregar as duas últimas encomendas (aqui e aqui) chegou a hora de pagar a "dívida".
Podem chover raios e coriscos, que em dias que eu actualizo o meu projecto especial são sempre dias bons! :- D :-D
São dias em que fico um passinho mais próximo de concretizar o meu objectivo de ajudar quem precisa.
E só por isso que tenho tanta vontade em vender o que por aqui vai havendo disponível. Estou numa ânsia tremenda em encher o mealheiro, abri-lo e fazer coisas fofas e bonitas para os meninos e meninas institucionalizados deste país.
Fica o meu agradecimento à Ângela e ao Pedro pelo seu contributo!!
"If it doesn´t challenge you, it won´t change you."
Não sei quem é o autor da frase, mas no meu entender tem toda a razão.
Aliás, se queremos crescer enquanto pessoas, indivíduos tem mesmo de ser assim.
Temos de sair da nossa zona de conforto. E acima de tudo temos de saber escolher as nossas guerras e aprender a recuar quando é necessário.
Faço artesanato desde que me lembro. Sempre foi a minha forma de lidar com o stress e a ansiedade.
No entanto, e como já por aqui contei, ultimamente dei-me conta que, muito pela minha ansiedade e mania em querer ver as coisas prontas rapidamente, percebi que comecei a "casa pelo telhado", que pus o carro à frente dos bois.
Ora isto deu origem a várias situações:
1. aumento da ansiedade;
2. o resultado final ficava aquém do expectável;
3. muito material estragado e desperdiçado;
4. dinheiro no lixo;
5. muitos nervos e stress de cada vez que tinha de fazer um trabalho;
6. apercebi-me que me faltam básicos (como uma caixa de costura decente, p.e.);
7. muitas vezes começava um trabalho, mas porque não havia um planeamento correto, a meio tinha de parar, porque faltava material, p.e.
8. estive mais de um ano sem fazer um projeto decente e cada vez que começava um, acabava por desmoralizar.
9. o meu lado perfecionista, metódico e organizado acabava por chocar com os resultados obtidos.
10. percebi que como não estava nada organizada, sendo uma pessoa muito criativa, dei por mim a perder ideias, moldes, materiais… e isso não é bom.
11. apercebi-me que por me faltar os conhecimentos básicos (como se faz determinada técnica, como se chama determinado material) dava erros crassos e que muitas vezes destruíam as peças, por completo.
12. eu não lido bem com pressão no artesanato. Se fizer um artigo por fazer, por diversão é certo e sabido que vai sair perfeitinho e à primeira.
Ora tudo isto, acabou por gerar em mim mesma uma pressão desmesurada e estúpida (eu sei!!). Não só em publicar aqui, como em produzir peças novas.
Para mim tanto este blogue como o artesanato servem precisamente para me acalmar, para me aliviar do stress, não para me criar mais nervos.
Aproveitando o aproximar do fim de ano resolvi parar, para refletir e fazer um reset. E foi durante a reflexão que decidi dar uns passos atrás, reconhecer as minhas fragilidades e decidi suspender as encomendas personalizadas. Decidi amadurecer mais enquanto artesã, aprender e crescer mais para assim poder criar mais e melhor. Para assim fazer um uso melhor não só do meu conhecimento como dos recursos que tenho à minha volta. Decidi retirar a pressão e ansiedade que uma encomenda personalizada me dá.
Neste momento, o artesanato tem de servir, obrigatoriamente , para me relaxar.
Se ontem falávamos de uma tradição anglófona, hoje falamos de uma tradição bem portuguesa: o pão por Deus.
No dia 1 de Novembro, Dia de Todos-os-Santos, as crianças é comum saírem à rua e juntarem-se em pequenos bandos para pedir o Pão por Deus (ou o bolinho) de porta em porta.
O dia de Pão por Deus, era o dia em que antigamente se oferecia pão, bolos, vinho e outros alimentos aos mortos, de forma a pedir pela sua alma – por isso, também é conhecido como o “Dia do Bolinho“.
É essa a origem deste ritual cristão, no qual as crianças (e também adultos, mas menos) que participam nos peditórios representam as almas dos mortos que «neste dia erram pelo mundo».
Normalmente estes sacos são feitos de tecido e as crianças podem decorá-los ao seu próprio gosto.
Quando pedem o Pão por Deus, as crianças recitam versos e recebem como oferenda pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, tremoços, amêndoas ou castanhas, que colocam dentro dos seus sacos de pano ou de retalhos.
Uma tradição anglófona que aos poucos e poucos tem entrado na tradição portuguesa.
Lá fora acontece todo um ritual de decoração da casa, gastronomia (muito) própria, assistir a filmes de terror, contar histórias assustadoras…
É o Carnaval anglófono, já que os bailes e festas temáticas sobre o assunto são muito comuns e as pessoas vestem-se a rigor.
Mas hoje lembrei-me de partilhar convosco sugestões rápidas não só de decoração como de saquinhos para cumprir outras das tradições deste dia: ir ao treat or trick! (Doce ou travessura!) tão comum entre as crianças, que percorrem as casas dos vizinhos, devidamente mascarados, a pedir doces e a pregar partidas a quem não dava.
E que são suficientemente loucos para acreditar nas minhas capacidades artesãs. E, pior, pedirem para que eu lhes faça algo.
É a loucura!!
E quando pedirem que a peça incorpore duas artes que eu adoro fazer é só a cereja no topo do bolo.
No início do Verão foi o que aconteceu: o Pedro um extraordinário professor/músico pediu-me para que lhe fizesse um saquinho para guardar as suas cartas-maravilha, que o ajudam a ensinar Inglês aos seus meninos. Foi muito específico no que pretendia e tinha de ser algo totalmente personalizado.
E daí veio a ideia de bordar o logo da banda em ponto cruz.
Muita pesquisa feita, projecto esquematizado e aprovado pelo cliente coloquei mãos-à-obra e hoje mostro-vos o resultado…
Pedro, MUITO OBRIGADA por esta oportunidade e espero que as cartas gostem da casa nova!!